Abandono do açude centenário exige resposta do poder público local



Atendendo a uma convocação da Central das Associações, representantes de bairros, moradores da área do açude,
representantes da Câmara Municipal, ONG ambiental e movimentos populares, compareceram na tarde de ontem (30) ao Parque do Alto do Açude
para discutir em reunião, no local o atual estado de total abandono e descaso da área.


Alertado por cidadãos, o presidente da Central, Mauro Mundim, convocou toda a comunidade para que juntos, pudessem encontrar saídas para evitar o desaparecimento por completo do açude.


O cenário é desolador. Lixo, depredação dos equipamentos e banheiros, assoreamento das margens do açude, mato alto e marginais circulando noite e dia são apenas alguns dos problemas encontrados.
Alguns moradores relataram suas angústias de verem o parque subutilizado e o não envolvimento da comunidade em sua preservação. Práticas desportivas como caminhada e cooper, levar as crianças para passear ou dar uma volta com seu animal de estimação, infelizmente, só podem ser feitas até um pouco antes do por do sol. Depois disso é um risco que ninguém quer correr, dizem os moradores.


De acordo com Mauro Mundim: “Não podemos conviver com a decadência deste espaço vital para o paracatuense. Temos de respeitar toda a história do local e o benefício que ele traz para toda a cidade. Não é possível que as autoridades deixem de  olhar para este local e apenas tolerem que ele exista. Não há segurança, o lazer está prejudicado, a marginalidade se instalou e até mesmo temos agora uma estrada ligando dois bairros, passando por dentro do parque. Mais absurdo que isso, somente quando vemos as construções que ladeiam o parque, licenciadas e permitidas pelo poder público local para serem erguidas dentro de uma APP. Se não for a vontade do cidadão, o parque inteiro em breve vai morrer.”


Em discussão coletiva, o Presidente do Movimento Verde de Paracatu, Tonhão, afirma que Das duas nascentes originais, a única que resistia aos desmandos e omissão do Poder Público, agora está morta. Quando esteve em Paracatu como coordenador das bacias do Paracatu e Urucuia, o Dr. Mauro Ellovitch embargou e fez serem demolidas, várias construções  em APP da única nascente que existia e alimentava o Açude, que faz parte do Córrego Pobre, que atravessa vários bairros da cidade e  é afluente do Córrego Rico.  Este por sua vez alimenta o Rio Paracatu e consequentemente o Rio São Francisco. De lá para cá, novos loteamentos foram implantados na bacia, sem os cuidados necessários e o resultado está aí. Não vamos dizer que é um absurdo, mas sim um horror.



Depois de um balanço das atitudes que já foram tomadas, incluindo o acesso à Promotoria de Meio Ambiente, feito pelo Mover, além da denúncia ao Ministério Público, o Vereador Rosival Araújo propôs que se reunisse um dossiê com todas estas ações, relatos de moradores e material comprobatório do estado do local e com a autoridade investida no cargo de vereança, juntamente com a vereadora Eloísa Cunha, a denúncia formal fosse encaminhada ao Ministério Público em caráter de urgência grave. Com a cobertura da mídia local e o aval dos moradores e organizações sociais, este passa a ser um caso que exigirá uma atitude imediata do poder público.  E se necessário, serão convocadas a Prefeitura e Secretarias Municipais pertinentes para que se procedam aos cuidados recomendados.


Uma vez que de tudo já foi tentado e mesmo com o apelo popular, a coisa não andou,nem surtiu efeitos, o que nos resta fazer é encarar a situação com autoridade e monitorar as providências. Esta não é só uma causa popular. Trata-se de crime ambiental contra o cidadão paracatuense”, dispara o Vereador Rosival Araújo.


 A Vereadora Eloísa Cunha é enfática ao apontar que “a massa da comunidade também tem de se envolver na proteção do local. E que exigir ações concretas por parte de setores que tem poderes para resolver não é nada de mais. Inclusive a Polícia Ambiental tem de estar atuante. Chamaremos à responsabilidade quem quer que a esteja abandonando.”



Todas as lideranças acordaram um novo encontro para esta segunda feira (3) às 10 da manhã, no sindicato do Bela Vista para traçar as estratégias de entrega do dossiê ao promotor de Meio Ambiente.

Confira as fotos do encontro desta quinta feira

 



Fotos: Ritha Ribeiro
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