I Seminário sobre Uso de Água na Irrigação para Produção de Alimentos discute preocupações em MG

Reportagem e fotos: Ritha Ribeiro

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco – CBHSF,
através da Câmara Consultiva Regional do Alto São Francisco, promoveu no  dia 7 de novembro, em Paracatu (MG),  o I Seminário sobre Uso de Água na Irrigação para Produção de Alimentos, na Câmara de Vereadores de Paracatu


Apresentações, discussões e debates sobre o drama vivido pelos usuários e população brasileira como um todo pontuaram toda a sexta feira. O Plenário da Câmara dos Vereadores cheio durante todo o período do evento pronunciou a gravidade dos fatos. Foram contabilizadas representações de mais de 40 instituições.


Na abertura dos trabalhos a mesa foi composta pelo coordenador do comitê,  responsável pelo Alto São Francisco, Márcio Tadeu Pedrosa, Dep. Paulo Romano, Marília Carvalho de Melo ,
Diretora do Igam e o Prefeito Olavo Condé .


Com uma programação extensa e abrangente, os temas trataram também das perspectivas positivas e colaborativas entre sociedade, poder público e produtores. Um dos maiores desafios apontados pelos técnicos é casar a necessidade de reservação da água e as políticas de liberação de fundos públicos para a execução das obras necessárias para que se possa conservar o fluxo dos rios de toda a bacia.


marilia igamA Diretora do Igam Marilia Carvalho (foto), pontuou em sua apresentação os diversos cenários foco do Instituto, no incentivo às ações integradas, pulverizadas por todo o estado de Minas, a distribuição proporcional dos recursos e a participação do órgão na fiscalização das obras autorizadas. Também pontuou sobre o acesso por parte de instituições e outros Comitês de Bacias Hidrográficas ao FHIDRO, o Fundo de Recuperação, Proteção e Desenvolvimento Sustentável das Bacias Hidrográficas do Estado de Minas Gerais – que tem por objetivo dar suporte financeiro a programas e projetos que promovam a racionalização do uso e a melhoria dos recursos hídricos, quanto aos aspectos qualitativos e quantitativos.

AGB Peixe Vivo

Responsável por atender às demandas do Rio São Francisco, a Associação Executiva de Apoio à Gestão de Bacias Hidrográficas Peixe Vivo – AGB Peixe Vivo  é uma entidade civil sem fins lucrativos, que exerce desde junho de 2010 as funções de Agência de Bacia do Comitê da Bacia Hidrográfica do rio São Francisco – CBHSF.  Sua finalidade  é prestar apoio técnico-operativo à gestão dos recursos hídricos das bacias hidrográficas a ela integradas, mediante o planejamento, a execução e o acompanhamento de ações, programas, projetos, pesquisas e quaisquer outros procedimentos aprovados, deliberados e determinados por cada Comitê de Bacia ou pelos Conselhos de Recursos Hídricos Estaduais ou Federal.

Para este encontro, contou com a apresentação de Adson Roberto Ribeiro, técnico na área de irrigação e uso agropecuário. Adson mostrou o panorama atual, os desafios da continuidade do sistema de agricultura irrigada, seus pontos positivos e negativos e até onde isso afeta realmente a vida do Velho Chico.

 Conflitos

Outro ponto de especial relevância foi a discussão sobre as áreas de conflito pelo uso das águas. Vários comitês de bacia locais estão desenvolvendo projetos de recuperação hidro ambiental e mediando as situações críticas, incentivando dezenas de produtores rurais a encontrarem um equilíbrio entre uso, preservação e partilha dos recursos hídricos tão necessários.

A região do Entre Ribeiros em Paracatu foi citada como exemplo de organização que está empreendendo um rumo planejado e de resultados nesta área.

DSC_0182Durante os debates, o representante do MOVER, Tonhão, questionou a mesa técnica sobre sobre a disponibilidade hídrica urbana e rural e o que poderiam os rios voadores contribuírem com o volume d’água da região, “visto que o cidadão urbano sofre as consequências da escassez dentro de suas casas, alterando a sua rotina. Alguma cidades percebem mais este problema, outras menos, mas todos estamos expostos às consequências do mal uso, falta de fiscalização e de consciência. Fenômeno que começa a ser mais amplamente divulgado, os rios voadores podem de alguma forma vir a ser uma fonte possível de exploração“, atalha Tonhão.


O Deputado Paulo Romano, em sua explanação também apontou as falhas nas competências e o que se faz necessário em termos de ações cidadãs para que o problema seja minimizado.

Acompanhe a entrevista com o Deputado:

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Ainda na tarde da sexta feira o MOVER exibiu uma série de videos produzidos pela instituição a título de ilustração do tema sobre projetos de recuperação hidro ambiental. O trabalho feito  no Ribeirão São Pedro na região Carapinas promoveu junto com a comunidade de produtores, O CBH Paracatu, a AGB Peixe Vivo, o CBH São Francisco com o apoio do IGAM, diversas obras estruturais tais como a construção de barraginhas, curvas de nível e cercamento de nascentes, além de um extenso trabalho de educação ambiental, tudo isso visando a capacitação do proprietário no gerenciamento das águas dentro e nos arredores de suas terras.

Aplaudido efusivamente pelos presentes, o vídeo sobre as barraginhas mostrou, pela voz do produtor beneficiário, como a integração de ações realizadas na base da produção resulta em qualidade e quantidade de água suficiente para que não haja desabastecimento para nenhuma das partes.

O ponto chave deste seminário foi a análise da situação crítica do Velho Chico e o apontar de possíveis correções de rumo e estímulo à novas práticas, além do engajamento das principais instituições gestoras de recursos hídricos na diminuição dos impactos advindos da estiagem prolongada pela qual o Rio São Francisco vem passando, descaracterizando paisagens e modificando o modo de vida de tantas e tantas comunidades que dele dependem.


Assista ao vídeo sobre o projeto no Ribeirão São Pedro




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