Cemig obtém lucro com a bandeira vermelha




Cada mês de bandeira vermelha significa uma receita de aproximadamente R$ 31,2 milhões para a Cemig
e de R$ 14 milhões de incremento de ICMS para os cofres mineiros. A tarifa vermelha é cobrada para cobrir gastos com energia extra. Sem impostos, custa R$ 3 para cada 100 kWh consumidos. Com eles, sobe para R$ 4,59, sendo R$ 0,24 de Pasep e Cofins e R$ 1,35 de ICMS. A alíquota desse imposto é de 30%, mas, devido à metodologia de cálculo, o índice chega a 45,27%. É o chamado método de “calcular o imposto por dentro”. 

 A Cemig tem cerca de 8 milhões de usuários, que consomem algo em torno de 130 kWh por mês. Com a bandeira vermelha custando R$ 0,03, cada consumidor gera uma receita de R$ 3,90, sem impostos. Com os 45,27% do ICMS, já sobe para cerca de R$ 5,66. A diferença aproximada é de R$ 1,75. E é esse valor que, multiplicado por 8 milhões de consumidores, garante uma receita extra de R$ 14 milhões.

De acordo com o presidente da Comissão de direito Tributário da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG), João Paulo Fanucchi, de forma indireta, a crise hídrica acaba gerando mais receita para o governo. “Se existe uma tarifa vermelha que vai majorar a conta de luz e o ICMS incide sobre o valor total do serviço, também haverá majoração da carga tributária”, explica.

No entanto, Fanucchi explica que, como a legislação tributária brasileira não permite que um imposto tenha destinação específica, não há chance desse montante extra gerado na receita do ICMS ser aplicado em ações para combater a crise hídrica, que foi o que, na verdade, gerou o aumento da arrecadação desse imposto. “Tudo vai para um caixa único e não há como direcionar para um fim específico”, afirma.


Por meio de nota, a Cemig detalhou como a bandeira vermelha é cobrada. Para um consumo de 189 kWh, a tarifa deveria ser de R$ 5,67. Mas considerando mais R$ 2,57 de ICMS, R$ 0,04 de Pasep e R$ 0,20 de Cofins, o custo sobe para R$ 8,58. E são esses impostos que deixam a bandeira vermelha 51% mais cara. A Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais explicou, por meio de nota, que o ICMS não incide somente sobre a tarifa da bandeira vermelha, mas sobre o valor total da conta de luz.
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