Muitos alunos que passaram no vestibular na esperança de contar com a ajuda pública para fazer faculdade começaram o ano apreensivos com o sistema do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies)
Hoje, dos 7,3 milhões de alunos matriculados no
ensino superior, 1,9 milhão (26%) depende do Fies. O coordenador financeiro da
Fumec, Franklin Gonçalves do Amaral Leite, disse que as matrículas começaram em
novembro do ano passado, logo depois do vestibular. “Muitos alunos só fizeram
essa matrícula apostando que conseguiriam o crédito do Fies, mas o MEC mudou as
regras em dezembro e o cadastro ficou fora do ar. Alguns alunos pediram
empréstimos, acreditando que em janeiro já conseguiriam a reposição do
dinheiro, mas isso não aconteceu”, afirma.
O normal, explica Leite, seria o Fies repassar os
valores da matrícula em janeiro para que a Fumec reembolsasse os alunos. “Mas
isso não aconteceu e ainda gerou inadimplência em fevereiro, o que compromete o
fluxo de caixa”, destaca o coordenador.
E se os novos alunos estão com dificuldade, os
veteranos que já têm o Fies também estão com problemas. Com as mudanças, o MEC
colocou uma trava e só está renovando contratos de alunos que tiveram
mensalidades reajustadas em, no máximo, 4,5%. O diretor executivo da Associação
Brasileira das Mantenedoras do Ensino Superior (ABMES), Sólon Caldas, explica
que nem mesmo a inflação ficou neste patamar. “Os reajustes ficaram em torno de
9% e 10%. E, neste mês, ainda teremos dissídio dos professores e, normalmente,
o reajuste é entre 6% e 7%. Se a instituição reajusta só 4,5%, ela terá um
déficit”, contesta Caldas.
No início da semana, a ABMES entregou um documento a
representantes do MEC reivindicando que as mudanças fossem reconsideradas. “É
um absurdo, pois o programa tem a meta de promover a inclusão, mas o governo
está, na verdade, cerceando o acesso ao ensino superior, critica Caldas.


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