Atualmente, os laboratórios diagnosticam a doença pelo teste ELISA (do inglês Enzyme Linked ImmunonoSorbent Assay), que utiliza amostras de sangue e por isso demora no mínimo três dias para confirmar ou não a infecção pelo vírus da dengue. Outro tipo de teste adota a técnica do PCR, que investiga a presença do vírus por meio do genoma. É mais rápida, porém mais cara, o que a inviabiliza para testes em escala, como acontece com as análises para diagnóstico da dengue. Também existem outros testes rápidos similares ao que está sendo desenvolvido na Funed, porém eles são importados, o que representa um alto custo para sua utilização em larga escala no Brasil.
Foi neste contexto, que as pesquisadoras Alzira Batista Cecílio e Erna Kroon criaram o Kit de Diagnóstico Rápido da Dengue, que utiliza uma nova técnica conhecida como imunocromatografia. O método consiste em uma pequena fita, que em contato com a amostra do paciente, se contaminado, reage à presença do vírus e muda de cor. “Com a essa nova técnica, o médico poderá tomar a decisão correta sobre o tratamento, monitorando a evolução da doença para sintomas mais graves”, acredita Alzira.
O novo teste rápido, com tecnologia nacional, será uma opção economicamente viável para atender à alta demanda do SUS, que concentra 60% da demanda por esse produto. O produto será descartável, capaz de realizar uma análise e sua comercialização será na forma de pacotes com 25 ou 100 testes.
O projeto de pesquisa, desenvolvido em parceria Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Secretaria de Saúde de Minas Gerais, está adiantado, já com protótipo laboratorial para testes. Inicialmente, a expectativa é que a nova tecnologia seja utilizada na Funed, que recebe anualmente cinco mil amostras de pacientes de Minas Gerais para exames laboratoriais. Também poderá ser transferida para o setor farmacêutico, podendo acelerar os resultados para a dengue em todo o país. “O protótipo está em fase de finalização. Iremos patenteá-lo e avaliar com o governo ou com empresas do setor privado o interesse em produzi-lo em escala. A previsão é que o produto fique pronto ainda no primeiro semestre deste ano”, diz a pesquisadora.
PII
Desde 2006, já foram 15 Programas de Incentivo à Inovação (PII) em Minas Gerais, com 280 projetos de pesquisa selecionados e publicados de universidades, faculdades e centros tecnológicos de Lavras, Itajubá, Juiz de Fora, Viçosa, Uberlândia, Belo Horizonte e Montes Claros.
Em 2013, o PII chegou à Fundação Ezequiel Dias (Funed), instituição centenária do estado, referência em pesquisa, dedicada à promoção da saúde pública. A realização desse programa na Funed estimula a pesquisa no setor de saúde, humana e animal, e projeta soluções para o mercado, viabilizando o desenvolvimento de protótipos e planos de negócios.
“Neste ano será lançando a publicação que destaca 17 dos 41 projetos inovadores identificados na Funed. São ideias avançadas de medicamentos, vacinas e tecnologias que ampliam as soluções para tratamento de doenças, controle de epidemias e melhoria da qualidade de vida da população”, afirma a analista da Unidade de Inovação e Tecnologia do Sebrae Minas, Andrea Furtado.


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