O
equilíbrio desse ecossistema, contudo, está ameaçado pelo avanço da agricultura
em larga escala.
Segundo o Ministério
do Meio Ambiente, cerca de 20% das espécies de plantas e animais exclusivas ao
bioma já foram extintas, e ao menos 137 espécies de animais da região correm o
risco de desaparecer.
“Não
temos mais aquele habitat natural, porque esse tipo de vegetação deu lugar às
lavouras: à soja, ao milho, ao feijão, ao arroz - e eles não têm a mesma função
ecológica do Cerrado", alerta Mauro Alves de Araujo, técnico agrícola
especializado na identificação de espécies vegetais.
Boa
parte das últimas áreas de Cerrado se encontra na região conhecida como
Matopiba (que engloba trechos do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) -
considerada uma das últimas fronteiras agrícolas do país.
"Trocamos
árvore por herbáceas, e isso na matemática (da ecologia) é cruel",
acrescenta Araujo.
O
Cerrado é um dos biomas mais antigos e biodiversos do mundo. Começou a se
formar há pelo menos 40 milhões de anos e abriga centenas de espécies de
animais e plantas que só existem lá.
Para
sobreviver às longas secas que ocorrem na região, muitas árvores locais
desenvolveram sistemas de raízes extremamente profundas e ramificadas.
Graças
a essas raízes, várias espécies do bioma jamais perdem as folhas, nem mesmo no
auge da estiagem.
As
raízes podem ser muito mais extensas que as copas das árvores, o que faz com
que o Cerrado seja conhecido como "floresta de cabeça para baixo".
Árvores
presentes no bioma - entre as quais buriti, pequi, jatobá e baru - garantem
ainda uma dieta rica para os habitantes da região.


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