O debate sobre a
proibição de produtos plásticos descartáveis, que vem ganhando força na União
Europeia, serve de exemplo para o Brasil. A avaliação é da representante no
Brasil do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (ONU Meio Ambiente),
Denise Hamú.
"Não é só para alarmar a todos, mas pra
mostrar e conscientizar que uma ação simples, de usar um material por três
segundos, vai impactar na natureza ou no oceano por 200 anos", diz ela.
Denise explica que, no Brasil, o desafio
atual é conscientizar os municípios. Em sua avaliação, a questão territorial
dificulta a implementação de políticas de abrangência nacional envolvendo os
produtos plásticos. Entretanto, ela alerta se tratar de uma questão urgente
para um país que possui mais de 9 mil quilômetros de litoral. "Se não
fizermos nada agora, daqui a 50 anos teremos mais plástico no mar do que
peixes".
Na semana passada, a Comissão Europeia propôs
a proibição da comercialização de produtos de plástico descartáveis que são
usados apenas uma vez e que possuem alternativas com materiais ambientalmente
mais sustentáveis ou biodegradáveis. Entre eles, estão cotonetes, canudos,
garrafas, mexedores de café e talheres.
A proposta foi motivada pela preocupação com
o acúmulo de lixo nos oceanos, que coloca em risco a vida marinha. Também foi
sugerida uma meta segundo a qual os países do bloco ficariam comprometidos com
iniciativas que os tornem capazes de coletar e reciclar 90% das garrafas
plásticas até 2025.
Campanha
A ONU Meio Ambiente realizou hoje (6) um
evento no Aquário Marinho do Rio de Janeiro (AquaRio), para conscientizar as
pessoas a diminuírem o uso de canudos, sacolas e copos descartáveis. Foram
entregues medalhas a escoteiros que assumiram esse desafio junto com suas
famílias. No evento, o Grupo Cataratas, gestor do AquaRio e também dos parques
nacionais do Corcovado, das Cataratas do Iguaçu, de Fernando de Noronha e das
Três Fronteiras, anunciou o início de uma campanha com a meta de reduzir em 80%
o plástico utilizado nos locais que administra.
O slogan da campanha será "Se não der
para reutilizar, recuse". "Todo plástico produzido na humanidade
até hoje continua existindo. Nossos filhos, netos e bisnetos vão
conviver com a garrafinha que estamos usando hoje", diz Fernando
Souza, diretor de sustentabilidade do Grupo Cataratas. Seu raciocínio leva em
conta que o primeiro plástico sintético foi desenvolvido em 1907 e que o
material leva centenas de anos para se decompor. Segundo o diretor, os quatro
parques nacionais recebem anualmente cerca de 4 milhões de turistas, que geram
quase 15 toneladas de resíduos plásticos.
O AquaRio também irá inaugurar nos próximos
dias uma exposição em que os peixes de três tanques serão substituídos por
embalagens plásticas, revelando o futuro dos oceanos caso a produção desses
materiais não seja reduzida. Conforme dados da ONU Meio Ambiente, somente no
Brasil, 720 milhões de copos descartáveis são utilizados diariamente. A agência
também aponta que metade de todos os produtos plásticos são utilizados uma
única vez antes de serem jogados no lixo.
* Colaborou Tâmara Freire - Repórter da Rádio Nacional do Rio de
Janeiro


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