
Paracatu está incrustrada
em um a área de cerrado que a natureza caprichosa levou cerca de 30 milhões de
anos para criar. O predador homem, meio século para destruir.
Hoje, bem mais
do que 40% do grão produzido no Brasil vem de áreas que antes eram cerrado.
Mineração e criação de gado também disputam a lista de elementos destrutivos do
que antes parecia uma terra inservível.
E a árvore?
Nossa paisagem de espécies retorcidas e ressecadas são só aparência. Já dizia
um cientista brasileiro que o cerrado é uma floresta de cabeça para baixo. O
cerrado é a caixa d’água do Brasil, pois a sua área abriga nascentes ou leitos
de rios de oito bacias hidrográficas dentre as doze que existem no país. Enquanto
a Amazônia viceja seu verde, o miolo de nosso país tem um cinza esverdeado
quando visto de cima. E parece agressivo, mas está sendo sacrificado em nome da
abertura de fronteiras agrícolas.
Hoje, 21 de
setembro, véspera da chegada da primavera, é dia de olharmos para as árvores
com outros olhos. Tanto é que em biologia, costuma-se chamar as árvores de “indivíduos”.
Não bastasse a
destruição pelas atividades humanas, Paracatu ainda sofre com fenômenos de
queimadas e degradação de seu solo e recursos hídricos, dentre outras ameaças
ao bioma.
Precisamos de
nossas árvores em pé. A lógica é clara: sem árvores, sem água. As raízes das
árvores reforçam o solo e suas folhas dispersam as gotas de chuva, de forma
que, nas áreas florestadas, a chuva é espalhada de modo homogêneo e suave, sem
cair torrencialmente. A água penetra no solo chegando até aquíferos
subterrâneos que abastecem córregos e rios, em vez de fazer os rios
transbordarem. Regiões desmatadas podem perder até 90% da água da chuva.
Temos
problemas estruturais, políticos e econômicos em nossa cidade em relação a
captação e distribuição de água, é inegável, mas o cuidado de preservar nossa
vegetação vem bem antes e acima disso tudo.

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